Arquivo de Abril de 2010
Livro Novo (prod.) & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 29 Abr 2010
she used to say
she used to say beautiful things
that could comfort my soul and my mind.
her eyes are the messengers that only brings
the most special treasures a man can find.
Trovas Tuiteiras & Livro Novo (prod.) & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 26 Abr 2010
trova tuiteira 063
Bom dia amor da minha vida!
Pra Deus, hoje, eu só peço
Que a estrada seja colorida
E que em tudo tenhas sucesso!
Livro Novo (prod.) & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 20 Abr 2010
TO DOs
Terça-feira.
E a única coisa que eu tenho a fazer,
A única que interessa
E que me faz ter pressa,
É te beijar.
Já adiamos esse beijo
Tantas vezes.
Dias, meses.
Talvez anos.
Sempre enganos.
Porque o tempo passa,
Mas a vontade não.
Vejas que situação,
Hoje é terça
E por mais que uma ou outra não entenda,
Só trago teu nome
No peito.
E na agenda.
Se esses versos, de alguma forma,
Chegarem a ti,
Lembras de um homem que chora,
Mesmo quando sorri.
Porque te ama
E não te tem.
Mesmo nesse intenso
Vai-e-vem,
Ele não te esquece.
E toda manhã, quando fala com Deus,
Agradece.
Pelo teu sorriso.
Pode ser que um dia, ninguém sabe,
Ele se arrependa.
Mas hoje é terça-feira
E ele te traz na mente.
E na agenda.
Livro Novo (prod.) & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 13 Abr 2010
freios
já não disfarço mais o meu desejo.
meus olhos não desviam dos teus seios.
minha boca, se berra por teu beijo,
implora que esqueças dos teus freios.
Livro Novo (prod.) & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 13 Abr 2010
muito. pouco.
tanto tempo. tanta mágoa. tanta dor.
tanta falta. tanto medo. tanto fel.
pouco riso. pouco gozo. pouco amor.
pouco beijo. pouco abraço. pouco céu.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 04 Abr 2010
Ainda
Não consegui te esquecer,
Nem mesmo sei se tentei,
Por tanto tempo chorei…
Quem sabe, quero sofrer?
Talvez, amanhã, eu te esqueça
Mas hoje, no pensamento,
Vou viver cada momento
Por mais duro que pareça.
Cada beijo, cada olhar,
Cada instante bonito
Que parecia infinito
Mas que solveu-se no ar
Lembro, claro, do teu rosto,
Da tua pele, teu riso,
Do teu querer indeciso.
Sinto, de novo, teu gosto,
Teu cheiro.
Tua boca na minha,
Minha mão sobre a tua
E quando te deixei nua?
Aquele frio na espinha…
O teu jeito charmoso
De querer mais carinho
E o suspiro baixinho
Ritmando teu gozo,
Esquecer?
Sei, é possível…
Mas desistir de tentar
Pra sempre te conquistar,
É inadmissível!
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 04 Abr 2010
Moça na Foto
Eu me perdi nesse teu olhar
Doce e sereno.
Sinto-me tolo, frágil e
Tão pequeno,
Um menino,
Entregue à vontade soberana
Do destino.
Eu sei…
É só um retrato…
Mas o que sinto é mais
Que poesia,
Fantasia,
É fato.
É mais que alegria,
Euforia,
É raro.
É tão bonito,
Que o que eu penso em dizer-te
Deve ser dito:
Eu te amo!
Mesmo tão distante,
Já neste instante,
Eu amo.
Pensam que mal te conheço,
Mas já absorvi-te
Até o avesso…
E pago o alto preço
De dizer-te que te amo
Mesmo antes
De tocar teu rosto,
Sentir, nos teus lábios,
O teu gosto
E abandonar de vez o meu juízo
Pela conquista da jóia mais rara, preciosa…
O teu sorriso.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 04 Abr 2010
Palavra
Me dá tua palavra
Qualquer palavra
Eu quero o som
Sussurro ou grito
Que algo seja dito
Pela boca
Amada
Beijada
Hoje calada
Qualquer palavra
Eu quero aproximação
Eu quero a próxima ação
(Que não seja o fim!)
Que seja o sim
Que seja o som
Das palavras
Parece absurdo
Mas estou ficando surdo
De tanto que não escuto
A tua voz
Tuas palavras
Eu quero o som
Que tudo fique claro
Quando você disser
Que tudo fique, claro,
Como Deus quiser.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 04 Abr 2010
Quero Tanto
Quero viver todo dia do teu lado
Muito feliz porque sou teu namorado
Quero passar o sábado no edredom
Te ouvindo ler os versos do Drummond
Quero acabar meu sorvete de casquinha
Sem você nem ter saído da provinha
Quero andar de mãos dadas, distraído
(E ser saudado pelo desconhecido)
Quero te ver pedindo saladinhas
Só pra depois engordar com lajotinhas
(E passar a semana reclamando
Mas gastar as calorias me amando)
Quero bater papo sobre o U2
E, pra implicar, comparar com o Pato Fu
Quero ficar calado dias inteiros
Pra não te atrapalhar em teus roteiros
Quero fazer um risotto diferente
E servir num jantar chique, só pra gente
Quero dar a volta ao mundo contigo
E ser pra sempre o seu melhor amigo
Quero guardar rolhas, fósforos, momentos
Quero aplaudir de pé os teus talentos
Quero entregar meu sono nos teus braços
E ilustrar meus sonhos com os teus traços
Quero você em paz comigo. Mais nada.
Quero você pra minha namorada.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 03 Abr 2010
no teu tempo
Te amo incondicionalmente
Mas tenho medo de que isso te agrida
E te imploro desesperadamente:
Nunca te sintas presa à minha vida.
Tu és livre e é livre que te amo.
Presa és triste… o mundo tão medonho.
Sorri sempre! Atenta ao que clamo:
Não tenhas pesadelo com meu sonho.
O amor é lindo, eterno, cristalino
Quando respeita os dois (e cada um).
Para entender o amor genuíno:
Se não é bom pra ambos, não é pra nenhum!
Por isso, muito além do sentimento
Olho para o tempo o tempo inteiro
E respeito muito, linda, teu momento.
Antes de amante, sou teu companheiro.
Não vamos mais viver tantos tormentos
Sei que o que sinto não é passageiro…
Mas só matando as dores, os sofrimentos,
Para o amor não ser mais prisioneiro.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 02 Abr 2010
Onipresença
Mesmo tão distante,
Tão presente…
Se me distraio um instante
Não mais que de repente
Você aparece
E, sempre que acontece,
Tudo se renova,
Tudo põe à prova
O que quero crer.
Há sempre alguém
Para falar seu nome,
Para lembrar seu jeito,
Citar suas palavras.
Há sempre uma pergunta,
Sempre alguém que junta,
Tantos retalhos.
Muitos atalhos
Até você.
E tudo gira em torno -
Em belo contorno -
Da sua silhueta
Projetada na parede,
Saciando a sede
Que a saudade causa.
Uma breve pausa
No distanciamento,
No meu sofrimento.
Um raro momento,
Para sorrir.
Frágil miragem!
Rápida viagem
Ao passado.
(O que eu fiz de errado?)
Mas há algo de bem triste
Nisto que insiste
Em me possuir.
Quando volto a mim,
Eu só vejo o fim.
Eu só sinto a dor.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 02 Abr 2010
Machuca
O que mais machuca
Não é a distância,
A ignorância
Sobre a tua vida.
Não são os golpes precisos
Das más lembranças.
Nem das boas.
Não é pisar nos cacos
De cada sonho
Destruído.
Não é ser estrangulado,
Sufocado
Pelas mãos frias, firmes,
Implacáveis
Do fracasso.
Não é ser pisoteado por um
Exército impiedoso de
Dúvidas.
Não é ser queimado vivo
Pela inquisidora paixão
Que ainda sinto.
Não é ser lentamente torturado
Pelo meu amor próprio e
Pelo meu próprio amor
Que um dia vi nascer, pequeno e indefeso,
E criei.
Não é ter que engolir a seco
Todas as pedras que eu mesmo atirei.
Não é ter meu ego extirpado.
Nem é ver minha alma
Violentada no cárcere.
O que mais machuca, meu amor,
São os profundos lanhos
Dessa navalha afiada
Do teu silêncio.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 02 Abr 2010
Te Amo
Um milhão de vezes,
Te amo.
Me humilhando às vezes,
Te amo.
Em toda circunstância,
Te amo.
E a qualquer distância,
Te amo.
Te amo porque amo amar-te.
Te amo e desejo desejar-te.
Te amo por inteiro. Cada parte.
Te amo. Insaciável em saciar-te.
Te amo com amor puro. Inocente.
Te amo com amor puto. Indecente.
Te amo. E para sempre te amarei.
Mas nunca me perguntes como sei,
Porque não sei. Eu só sonhei
Te amar para sempre. Como sempre amei.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 02 Abr 2010
Sabe o que me espanta?
Sabe o que me espanta?
É que eu tento tudo
E nada adianta.
É você que ainda
Continua linda
Em todos os cantos
Do meu pensamento.
Por mais que eu mereça,
Por mais que eu conheça,
Milhares de
Mulheres
Melhores
É você que eu amo.
Amo os seus olhos
Que enxergam em mim
Tantos defeitos.
Amo seus seios,
Deslumbrantes, perfeitos,
Esculpidos por Michelangelo.
Amo sua boca,
Berço do sorriso
Mais maravilhoso
Que eu já pude ver.
Amo a sua mão
Que, com a minha mão,
Fez a comunhão
Mais honesta, mais correta,
Mais justa,
Que eu conheci.
Amo o seu perfume,
Amo o seu gosto,
Sua simples existência,
Sua inteligência,
Rara,
Quintessência.
Amo o seu charme
Que desequilibra
Porque embriaga.
Amo o seu abraço
E o seu beijo.
Amo a sua voz
E, às vezes,
Seu atroz
Jeito de Leão.
Amo, quando você se entrega,
Sua alma desnuda,
Linda,
Como um verso de Neruda.
Sabe, o que me espanta
É tudo o que me encanta,
E cada dia mais,
Em você.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 02 Abr 2010
Ridículo
Ridículo
É como me sinto
Diante deste teu, parece, instinto
De me condenar
Ao ostracismo
Me empurrar
No abismo
Da solidão.
Não é possível
Que estejas insensível
A perceber
Aquele nosso amor maiúsculo,
Hoje tão ralo, crepúsculo,
Inerte músculo
Que padece
Que carece
Do menor carinho
Pra viver.
Abre teus olhos,
Abre teu peito,
Deixa pra trás o que foi feito
E começa o novo,
De novo.
Eu errei,
E, talvez, tenhas errado
Mas nunca o bastante
Pra não querer-te um instante
Ao meu lado.
Deixa de orgulho!
Pelo amor de Deus,
Muitos dos teus sonhos
Também são meus.
Vamos vivê-los,
Vamos aquecê-los
Com aquele amor
Ardente,
Verdadeiro,
Transparente
Que um dia nos uniu.
Faz tanto tempo que eu
Nem te vejo
E ainda é presente o desejo
De beijar a tua boca.
Já tentei te esquecer,
Te amaldiçoei.
Mas tudo de concreto
Que aconteceu
Foi ter que abrir a porta pro amor
Que não morreu.
E recebê-lo aqui,
Nessa apertada solitária…
Eu com ele, nesse escuro cubículo,
Me sentindo triste, turvo
E ridículo.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 01 Abr 2010
keep walking
Keep Walking! -
Disse-me Johnnie
Embalado pelo solo
Do saxofone
Meio rouco,
Meio louco.
Pouca luz…
Talvez isso tudo seja mesmo
Blues.
E eu aqui.
Dentro de mim,
Além do exagerado teor
De bebida
Que anestesia,
Entorpece,
Há um monte de coisas bonitas
Que a gente não esquece
E quer dizer, a qualquer custo,
Que sente.
Então,
Quando acabar de ler este poema,
Saiba que ele foi escrito,
Com o que há de mais bonito
Daquilo que sente um homem.
Todas as mágoas somem,
As angústias se vão
E fica apenas o amor de sempre,
Sincero,
No coração.
Vão embora a dor
E a frustração.
E o que toma meu pensamento
E, agora, eu digo
É que eu só queria você aqui,
Comigo.
Porque eu te amo!
Segurando a tua mão,
Escutaria, então,
Um mais doce,
Menos aflito,
Grito
Do oxidado saxofone.
Keep walking!
Diria, pra gente, o Johnnie.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 01 Abr 2010
Meus Poetas
A me proteger da tua
Indelicada frieza,
E inexplicável escassez
De caráter,
Apenas o exército de poetas
De versos,
Diversos,
Contundentes,
Estrondosos,
Que invoco, em apuros.
Quando a solidão,
Cruel carrasco,
Me enforca,
Salvam-me as palavras
De Garcia Lorca,
Que traz consigo sempre
A inestimável ajuda
De seu amigo de língua,
Pablo Neruda.
Cecília Meireles, meu escudo,
Contra teu ódio, indiferença,
Quase tudo,
Não abandona a luta.
É guerreira,
Como os heróis de trincheira,
Mário de Andrade
E Bandeira.
E o que seria de mim
Sem Fernando Pessoa
Que, às vezes disfarçado,
É incansável, é valente,
Ao meu lado.
Se desprezado,
Quase sucumbo ao ataque,
Mas rogo,
Pela força de Bilac,
Que não foge
À mais violenta
Das batalhas.
Quando a tristeza é
Mais forte
E, já beirando a morte,
Rendo-me e
Sinto saudade,
Curam-me os poemas
De Carlos Drummond de Andrade.
Sá-Carneiro, amigo,
Tantas vezes abrigo
Do perene perigo
Da sala vazia.
Do calor que nos unia,
Perigosos resquícios…
Prontamente eliminados,
Por Vinícius.
De Shakespeare, os sonetos,
Poderosos amuletos,
Para a guerra
Pela vida.
Injusta vida
Longe de ti.
Estilhaços de dúvidas e a incerteza,
Se invadem a fortaleza
Em que me escondo,
Num ato hediondo,
Levam-me ao chão.
Febril, não mantenho o controle
Da mente
Novamente
Insana
Mas guia-me ao meu leito,
Mário Quintana.
Hosana!
O breve murmúrio
De um homem
De luto,
Cansado da luta.
Quem escuta?
Quem ampara esse
Pobre poeta que já nem sabe o que quer?
Manoel de Barros, Gonçalves Dias
E Charles Baudelaire!
Vivo, assim, eu, pois, melhor que ti!
O poeta por mais que sofra, sorri!
Tu, com teu silêncio
Inescrupuloso,
Orgulhoso,
Teimoso,
Desastroso,
Viras cárcere,
Condenada por Camões,
Que te leva aos porões.
Menotti Del Picchia te tranca,
Bocage insulta,
E Florbela espanca!