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Arquivo de Julho de 2009



Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2009

Hoje

Hoje foi um daqueles dias
Em que você vem, não sei de onde,
Escancara as portas cerradas,
Seladas,
Geladas,
Do meu pensamento,
Olha nos meus olhos em rápido
Movimento,
Sem-cerimônia,
Sem perguntar se é o melhor
Momento
Para ficar.
E fica.
Deitada na espreguiçadeira
De velha madeira.
O dia inteiro,
Para meu completo, cruel e Indiscreto
Desespero
De quem não esperava visita,
De quem se preparou para estar só.
E sem ação,
Nem opção.
Fico sem voz,
Voz, voz…
Como eu sabia!
Eu não devia
Ter escutado o Gilmour…
Tão convincente,
De jeito manso, amigo
E eloqüente…
Eu perguntando uma razão – só uma –
Para existir
E ele veio com aquela história
De Wish You Were Here.
E agora?
Eu não consigo mandar você
Embora,
Fico olhando,
Querendo pegar no colo,
Pedir ao Roger mais um solo
E, antes do último acorde,
Acordar você
Com um beijo
E um abraço…
Meu Deus, o que eu faço
Para essa mulher sair do meu pensamento
Para invadir, tomar de assalto
Meu apartamento,
Acabar de uma vez com essa parcimônia
De carinhos,
Pegar a minha mão,
Me entregar seu coração
Para sempre?
Meu Deus, o que eu faço
Para que hoje
Seja passado?
E distante.

Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2009

Fui Feliz

Já fui feliz
Já tive beijos
Tive sorrisos
Já tive abraços
Tivemos sonhos
Tivemos laços
Tivemos tempo
E mil motivos
Pra estarmos vivos
Vivermos juntos
Tantos suspiros
Tantos assuntos
Tantas histórias
Tantas memórias
Tantos planos e poesias.
E muito amor. Amor.
Agora vivo (ou sobrevivo)
Sem notícias
Sem carícias
Sem contato, sem tato
Sem nenhum sentido
Não faz sentido
Ficar sentido
Ficar sentado
Nesse estado
De desespero
De desatino
Que nem menino
Abandonado.
Apavorado,
Apaixonado.
Me dá um beijo
Dá um sorriso
Me dá um abraço.
Me faz feliz.

Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2009

Sonetinho

Eu quero tanto segurar a tua mão
Que chego a tropeçar na ansiedade
E derramo, espalhando pelo chão,
A minha, já escassa, sanidade.

E, louco, em delírios, eu te vejo
Em jardins em que, outrora, nós andamos.
Te encontro e, de súbito, te beijo…
Na loucura, novamente, nos amamos.

Quero criar com toda essa loucura
Um novo e certo ponto de partida…
Fazer desses delírios nossa cura

Pra essa, então, desesperada vida
E deixar a paz que tanto se procura
Vir com a paixão, agora, renascida.

Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2009

Linda

Lindo é o poema de amor
Se lindo é o amor do poeta
Que não cria, Interpreta
Palavras que se ocultam
Nos doces modos da musa.
O poeta não faz nada
Além de garimpar
A sua doce amada.
Cada olhar, sorriso.
Cada gesto
Num instante, torna-se
O mais puro manifesto
De amor.
Linda é a poesia
Se linda é a musa, que cria
A cada instante,
Dia-a-dia…
As palavras
Que o poeta escreve,
Mas não se atreve
A inventar…
Os versos, o poeta respira,
E vêm da musa, que transpira,
Sedução,
Ternura,
Paixão.
Linda é a tua poesia,
Porque linda tu és…
Porque louco por ti é o poeta,
Que tu tens aos teus pés!

Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2009

Perdidamente

Estou perdido
E, olhando nos seus olhos,
Busco sentido
Pra tudo aquilo que até agora julguei
Ter aprendido
Mas nada sei.
Nem mesmo posso explicar o que se passa
No meu peito
Cada vez que você passa
Como um furacão
Que não derruba casas
Mas enche de asas
A imaginação
Deste poeta
De coração Incerto,
Inseguro,
Rodeado, escondido
Por um muro
De pedras.
Com medo de amar.
Não sei dizer o que eu sinto…
Mas se disser que é nada,
Minto.
É muito mais que nada,
É quase tudo…
Tão forte, tão bonito,
Que nem acredito
E fico mudo…
Temendo te assustar,
Te afastar,
Te perder.
Estou perdido…
E sem coragem para achar o caminho
Até você.
Até sua boca.
O que que eu faço?
Se já não escondo mais minhas vontades?
Se já não controlo mais os meus desejos?
Se já não deixo de pensar nos teus carinhos?
Nem nos teus beijos…
Estou perdido.
E a única mensagem de socorro
Que me vem em mente
É gritar que eu te quero
Perdidamente!

Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2009

Meio sem Jeito

Fecho meus olhos
E enxergo os teus:
É sonho.
Penso em teus lábios
Encontrando os meus:
Desejo.

Se amo-te
Não sei dizer-te.
É desigual
O que sinto agora,
De tudo aquilo
Que senti outrora.
O teu toque
Me devolve a paz.
Teu sorriso
Traz minha alegria,
Tua voz
É a melodia
Que enche meu peito
De um bem-querer
Tão incomum.
Cada abraço teu
Traz-me certeza,
Necessidade
De mais um.

O teu sorriso
Faz o meu sorriso,
É perfeito,
É do jeito
Que eu preciso
Pra viver.

Se amo-te?
Penso que sim.
Mas tenho medo.
E, para ser sincero,
Não encontro a forma
De dizer-te
Que te quero…

Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2009

Sente. E mente.

Não sei se tudo o que sinto
Em teu íntimo tu sentes
Mas, por defesa, tu mentes
Pensando que, antes, eu minto.

Ou talvez tu nada sintas
E só quem sente sou eu…
E se o sentimento é só meu
Não há razão pra que mintas.

E se nem mentes nem sentes
Lá se vai a minha crença
Que não via diferença
Em expressões diferentes.

Quero crer, então, que sentes
Exatamente o que eu sinto.
Melhor seguir meu instinto
Do que ter atos prudentes.

Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2009

Condenado

Morro por ti, acredita!
De tanto que te desejo,
Minha alma põe-se aflita
E morro pelo teu beijo!

Morro também de saudade!
Quando tu vais e demoras,
Para mim a eternidade
Cabe em um par de horas…

Maior ainda é a desgraça
Se sentem o teu perfume,
Se alguém te beija ou te abraça,
Morro (e como!) de ciúme!

Ou quando percebo-te triste
Para mim, tenhas certeza,
É a pior dor que existe
E morro, também, de tristeza!

Mas se tu beijas meu rosto
Ou seguras minha mão
Eu morro com todo gosto
Porque morro de paixão!

Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2009

Minha Paz

Numa tarde,
Em Ipanema,
Triste,
Andei.

No peito, um coração
Carregado de saudade e tristezas
Ritmava meus passos
Preguiçosos.
A cabeça atormentada, perdida,
Estranha a mim mesmo,
Era habitada por tribos de pensamentos
Que lutavam
Incessantemente
Entre si.

E eu andava.
Sem saber exatamente o que procurava…
Me percebi diante
Da N. Sra. da Paz
Sem ser capaz
De entrar.

Acelerei o passo, era preciso.
Paz, Paz, Paz… - pensei -
Senhor, me mostra onde encontro a minha…
Não foram necessários mais que dois minutos
Ou alguns passos.
Para aparecer diante de mim,
Ainda incrédulo,
Depois de tanto tempo,
Em lugar tão improvável,
Em uma hora verdadeiramente incomum,
Você.

Despenteada, linda.
A minha paz.