Arquivo de Fevereiro de 2009
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 26 Fev 2009
Talvez
Volta
Nem que seja pra mentir que estragamos tudo
Nem que seja pra exigir que eu fique mudo
Nem que seja pra falar o que eu não posso ouvir
Nem que seja pra não assumir…
…o amor…
Seja lá o que isso for
(Mas) Volta
E desvia o teu olhar do meu
Diz de novo que já me esqueceu
E tenta acreditar no que você me diz
E nas tantas teorias sobre ser feliz
Volta
E murmura que já desistiu
Ignora a canção do Gil
Explica que não dava mais
Porque eu roubei a tua paz!
Talvez,
Talvez você esteja certa
Mas por via das dúvidas
A porta vai ficar aberta…
(Pra você voltar…)
sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 26 Fev 2009
Nada
Hoje abri meu coração
Libertei meus sentimentos
Escrevi uma canção
E a cantei aos sete ventos
Mas em nada resultou
Não te trouxe para perto
Minha alma ressecou.
Minha mente – um deserto!
Acabou minha inspiração
Se esvaiu minha alegria
Pra vida não há razão
Sem a tua companhia.
sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 26 Fev 2009
Presente
Tua nudez visita a minha mente
Sinto tua pele, teu gosto e teu cheiro
Abraço e beijo o teu corpo inteiro
Vejo o teu riso de gozo iminente
Gozo que toma a ti, loucamente
Te faz ferver e expressar num grito
O teu prazer mais puro e bonito
Que faz-me amar-te mais intensamente
Então entrego-me completamente
Ao teu desejo mais forte e sincero
Realizar-te é tudo o que espero
Ver-te mulher que vive plenamente!
E numa noite enluarada e quente
Em minha cama te terei deitada
Nua, linda, para ser amada
Encerra-se o sonho. Tu estás presente!
sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 26 Fev 2009
Pra Minha Amiga
Deus, pra me proteger
Fez de ti minha amiga
Deu-te o colo que me abriga
E não me deixa sofrer
Mesmo se cerras a boca,
Tu me dás tua atenção
Escutas com o coração
A minha história mais louca.
Me entendes com ternura
E não me julgas culpado
E só de ter-te ao meu lado
Sinto minh´alma mais pura.
Conheces minhas fraquezas
(E, nelas, nos encontramos)
Em nossos copos afogamos
Várias de minhas tristezas
Agradeço com fervor
Estares sempre comigo
Deixe-me ser teu amigo
E retribuir-te este amor.
sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 25 Fev 2009
Mais Que Tudo
Como tu falta-me aos braços!
Como, sem ti, é oco meu peito!
Minh’alma, tantos espaços
Como a cama em que me deito…
Estranha ausência que sinto
(Pois nem minha tu és)
Me toma como um instinto
E me derruba aos teus pés…
E como eu desejo te ter!
Como eu desejo te amar!
Pena não poderes ver…
Nem tampouco imaginar…
Mais que tudo, te quero!
Tua boca, tuas mãos, teus seios…
Quero, com um beijo sincero
Libertar os nossos freios
Quero overdose de amor!!!
Quero paixão permanente!
Gozar, explodir com o calor
Da tua pele ardente
Quero deitar do teu lado
E respirar o teu cheiro
Me sentir realizado,
Homem, feliz. Verdadeiro!
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 25 Fev 2009
Soneto da Libertação
Nunca mais vou te dizer
Que és tudo o que preciso
Que não saberei viver
Por não ter o teu sorriso!
Teu olhar nada me diz
A partir deste momento.
As juras de amor que te fiz
Foram-se, agora, no vento!
O meu coração vazio
Ficou mais calmo, sereno
Sobreviveu ao teu frio…
Livrou-se do teu veneno
Seguirá novo, sadio
Em busca de um amor pleno!
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 22 Fev 2009
Vuoto
Oggi io ti ho cercato nella moltitudine.
Tra i tanti che andavano,
Tanti che venivano,
Ho ricercato, attento,
Ansioso,
Una luminosità
Che potesse denunziare il tuo sguardo
La tua presenza.
Ho atteso che la brezza del mare
Portasse, rinvolta,
Come regalo,
Il tuo profumo.
In mezzo alle voci e rumori
Del cotidiano affrettato
Ho tentato sentire
La piú semplice
Manifestazione della tua voce…
Ma tu non ti sei fatta vedere.
E, per rincontrarmi con te,
Ancora una volta
Ho mosso tutto quello
Che é nostro
Che ho mantenuto guardato
Dentro me.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 21 Fev 2009
Sorbonne
Filha da puta,
Pára e me escuta
Porque eu te amo,
Caralho.
Como é que você não percebe,
Parece até que não bebe!!!
Tão insensível, obtusa…
Vê se entende de uma vez
Essa merda toda,
O mundo que se foda,
Porque eu te quero,
Porra!
Mas, antes que eu morra,
Porque depois não adianta…
Defunto não beija,
Presunto não abraça…
Se eu morrer, fodeu, já era…
Você senta e espera..
Aí só na próxima!
E se você sair do inferno,
Que é pra onde vai
Quem fode
Com a vida dos outros.
Até quando vai durar
Esse faz-de-conta
De que está feliz?
Olha na minha cara, caralho,
E me diz!
Porque eu duvido!
Larga esse fodido
Que não te merece.
Porque eu não agüento mais essa
Merda na minha garganta,
Me sufocando.
Vê se presta atenção,
Deixa de ser burra,
Você merecia uma surra,
Mas não bato em mulher.
Ainda mais a que eu amo,
A que eu venero.
Se o problema é tempo,
Eu espero,
Mas me diz até quando,
Pra não parecer que está
Cagando
Pra essa coisa bonita
Que eu trago no peito
E chamo de amor.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 13 Fev 2009
Eu Quero Você
Eu quero você de todos os jeitos
Com todas as suas manias
E defeitos
Com todos aqueles seus pretextos pretéritos
Mais que imperfeitos
Que fazem tanta falta
Num dia como hoje
Em que o maior de todos meus desejos
É caprichar na retórica
Pra te pedir dois beijos
Um pra agora
E outro pra levar
Porque daqui a meia hora
Eu sei que vou sentir saudade
Eu sei que vou sentir vontade
De novo de você
E vou te querer
Com todos os seus vícios
E artifícios
Com todos os seus medos
E segredos
Com todos os seus risos
E improvisos
Com toda a sua imensa
Toda a sua intensa
Vontade de viver
Eu quero hoje, amanhã e sempre
Eu quero você
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 13 Fev 2009
Esfinge
Eu devia ter desconfiado
Desses olhos de leão
Que escondem o coração
De pedra
De uma esfinge
Que finge
Nem me notar. Não me querer.
Eu que tentei decifrar
Desde o segundo segundo em que a vi
Mesmo quando o que eu mais queria
Era ser devorado.
Era ter transformado
Esse meu amor quase platônico
Em um romance faraônico
De final feliz
(Juro que eu quis)
Mas tudo o que resta do sonho
É o deserto
De escassas lágrimas pelo amor que não deu certo
De remotas esperanças de tê-la de novo por perto
Pra descobrir, pra conquistar
Mais do que a aparência, muito mais, a sua essência
O seu lindo coração
Protegido, escondido
Pelos olhos de leão.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 13 Fev 2009
Sandália
Quando passar por aqui qualquer dia
Deixa pra mim lá na portaria
Um envelope com a minha alegria
Que você levou por engano
Quando, enganada, saiu
Quando se foi apressada e aflita
Deixando pra trás preciosos pertences:
Meu coração e a sandália de dedo
Enchendo a sala de dor e de medo
De um nunca mais
Quando passar por aqui qualquer dia
Em vez de deixar o envelope com o Zé
Sobe, quem sabe eu te faço um café
Daqueles que a gente tomava à tardinha
Enquanto falava das nossas vidas
Que eram tão próximas
Tão pouco sofridas
Tão lindas de viver
Quando passar por aqui qualquer dia
Esquece que um dia saiu apressada
Lembra que aqui ainda é teu lugar
Fecha os olhos e sonha de novo
Deixa a sandália voltar pro seu pé
Acende uma vela e toma um café
Abre o envelope e põe a alegria
De volta no lugar
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 13 Fev 2009
Olha Pra Mim
Olha pra mim mais uma vez
Que eu esqueci de perguntar
A tua música favorita
O teu número da sorte
Em que deus cê acredita
E esqueci de te falar
Que você tá tão bonita
Que tenho medo da morte
E que a vida é esquisita
Se você não está.
Fica só mais um instante
Que eu esqueci de perguntar
Se essa lágrima que escorre
Foi casual, um mero cisco
Ou se corremos o risco
De ser de dor
É de doer. É de matar
Essa saudade que inda vou sentir
Essa tristeza que inda vou chorar
Essa verdade que eu vou dizer
Olha pra mim pra não esquecer
Que eu te amo e vou sempre amar.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 13 Fev 2009
Tagliatelle
Alma quebrada. Que brada
Com o coração sombrio. Sem brio.
Sem amor, sem ódio. Só nada.
Quieto, tolo, fraco. E frio.
Coração sem cor. Sem ação.
Coração carente.
Que chora.
Coração doente
Que piora.
Coração demente
Se apavora.
Coração dormente
Ignora
As súplicas da alma
Que implora
Por inesgotável calma
Nessa hora!
E que o coração desista de desistir
Que o coração insista na insistência
Porque se a alma gêmea demora a vir
Quem pode ir buscá-la é a paciência.
Mas o coração vazio, vadio
Vagueia vagaroso. Acuado.
Desconfiado, arredio.
Seco, oco, roto. Derrotado.
Bate por bater. Dentro do peito.
Sem ritmo, sem força. Tão triste.
E num instante ímpar, imperfeito
Abandona a alma. E desiste.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 13 Fev 2009
Não!
Não é possível
Que tenha sido tudo em vão
O que li nos teus olhos
Não foi mera ilusão
À toa não foi, à toa não foi
À toa não
Só conheci amor quando peguei a tua mão
À toa não
Eu não posso entender
E nem quero querer
Que você suma e tudo se resuma
Em versos perversos,
Ditos malditos e
Pesados pesadelos
Que eram sonhos
E jamais serão
Tratos abstratos
Que se vão.
Não foi em vão. Não foi em vão.
À toa não.
Não!
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 13 Fev 2009
Tão Difícil
Vai ser difícil…
Viver sem teu bom-dia
Vai ser difícil…
Ou talvez seja impossível
Sorrir sem teu sorriso
Respirar sem teu perfume
Imaginar sem tua inspiração
Vai ser difícil
Outro rosto no porta-retrato
Outros olhos pra me dar coragem
Outra boca pra fazer silêncio
(Vai ser difícil…)
Chegar em Ipanema
Escrever mais um poema
Falar de cinema com alguém
Vai ser difícil ficar sem…
Vai ser difícil ficar bem…
Tão difícil…
Vai ser tão difícil…
Tão difícil…
Achar graça em Agosto
E beber sozinho
Essa bebida sem gosto
Que já foi… o nosso vinho…
Vai ser difícil…
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 13 Fev 2009
Janela
Ah! Eu preciso abrir a janela
Eu preciso ver o sol
Eu quero acabar com essa profana agonia
De todo santo dia
Desde o dia em que você foi embora
Desde aquela hora,
Eu me calei
Todo esse tempo
Mudando e mudo
Em todo esse tempo eu só escuto
Caetano
Calado, como um velho sábio monge
Tibetano
Vendo a minha desbotada eloqüência
Deixar nascer uma bem-vinda paciência
Vendo o meu orgulho imenso
Queimar como um incenso
Que impregnou o ar com um perfume de baunilha
E nostalgia,
Poderosa amônia,
A despertar minha indiscreta insônia
Que, ontem à noite, sem eu perguntar, me disse
Que é vazia e inútil
Minha metamorfose,
Se o amor foge
Pra longe,
Pra onde
Você não vê.
Por isso hoje eu abro a janela,
Fujo desse estéril castigo
Que, errado, julguei ser o meu abrigo
E para cada um que passa eu digo
Como se fosse o meu melhor amigo
Que eu amo você,
Que agora eu já entendi
E eu te quero aqui.
Livro Novo (prod.) & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 11 Fev 2009
SMS
Muitas vezes o que escrevo,
Eu sinto.
Outras tantas o que sinto,
Escrevo.
Se escrever que não te amo,
Eu minto.
Se o contrário não escrever,
Eu devo.
Livro Novo (prod.) & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 11 Fev 2009
Anjinha
Vez ou outra
O amor chega de mansinho
A passos de passarinho
E ninguém nem se dá conta.
Aí apronta,
Desassossega a gente,
Faz a vida, de repente,
Virar de ponta cabeça.
Há quem mereça
Ganhar reciprocidade,
Achar a paz de verdade
No olho do furacão.
E há quem não.
Não sei de mim
Se não ou se sim.
Ou se talvez, talvez.
E dessa vez
O amor chegou devagar
Com a calma do teu olhar
Na brisa do teu perfume.
E eu, não estava imune,
Me vi de frente pro amor
Faço de conta que o mereço
E, por isso, não te esqueço
Desde o dia em que te vi.
sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 11 Fev 2009
Elixir
Se
Olho pro lado e não te encontro
E não escuto tua voz, tampouco
Talvez esteja mesmo um tanto louco
Porque ainda sinto teu perfume aqui.
Se
Já não me lembro o dia em que te vi
Nem de tudo aquilo que disseste
Talvez eu seja mesmo um cafajeste
E não mereça estar do teu lado.
Se
Eu não enxergo o que fiz de errado
E não compreendo a tua atitude
Talvez eu seja mesmo muito rude
E estás bem certa quando dás de ombros.
Se
Sobrevivi em meio a esses escombros
E te desejo mais que à própria vida
Talvez tu sejas mesmo a mais querida
Que poderia pra mim existir.
Se
Teus beijos doces foram um elixir
Do mais perfeito e sábio alquimista
Talvez na vida eu jamais desista
De te amar e de te ter me amando.
Se
Cheguei aqui porque segui errando
Daqui não passo se não te levar
Talvez eu deva mesmo te esperar
E é só isso que eu tenho feito.
sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 11 Fev 2009
Eu Lembro
Eu lembro,
Quando vem esse sol lindo
De novembro,
Do seu olhar.
Ele era pra mim o mesmo
Que o mar
Sob os reflexos de luz,
No Arpoador:
Uma pintura de paz
Sobre uma tela de amor.
Eu lembro
Que a gente se entendia
Por telepatia
E o silêncio
Era um selo
De cumplicidade.
A felicidade
Morava no seu sorriso,
Às vezes contido, tímido,
Às vezes nem tanto.
Sempre um encanto.
Sua gargalhada
Era meu faz de conta
De um conto de fada.
E eu me via feliz e completo
Em meu mundo repleto
De você.
Eu lembro que segurar a sua mão
Era provocar um terremoto
No coração.
Eu lembro da gente brindando,
Da gente brincando.
Eu lembro do abraço
Perfeito
Que a gente se dava.
Eu lembro que a gente se amava.
E acho que você também.
sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 11 Fev 2009
Todo Dia
Senti frio.
Senti medo.
Senti falta.
Corri pra tentar chegar antes
Mas por meros instantes
Cheguei atrasado.
Menti pra evitar estragar
E quando acordei
Já estava estragado.
Bebi pra esquecer que bebia
Pra esquecer
O que eu não esquecia.
Gritei pra arrancar do meu peito
O passado imperfeito
Que tanto afligia.
Chorei pra lavar a alma
E os olhos incrédulos
No que não enxergavam.
Escrevi por insegurança,
Pra manter a esperança,
Pra desabafar.
Rezei pra não te ver.
Pensei pra te alcançar.
Vivi pra não morrer.
Caí pra levantar.
Calei por falta de opção
E interlocutor.
Amei por falta de amor.
Beijei a boca errada
Sem paixão, sem desejo
E com gosto de nada.
Lembrei de você todo dia
Vivi a agonia
De um condenado.
Lembrei de você todo dia
E por covardia
Estive calado.
sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 11 Fev 2009
Eu Queria Hoje
Eu queria hoje te pegar no colo
Pela última vez que fosse
Provar mais um pouco do doce
Que desprende dos teus lábios,
Encontrar nos alfarrábios
Versos de alguém que amou como eu te amo
E dizer-te, cada um, baixinho,
Ao teu ouvido e bem devagarzinho
Para notar o súbito arrepio
Tomando posse do teu pescoço.
Eu queria hoje te dar um abraço
Como se meu corpo fosse o laço
A envolver o melhor dos presentes
Que é o teu corpo para mim.
Eu queria hoje o teu sim.
Eu queria hoje um dia como todo dia
Mas com a sutil diferença
Da tua companhia
Para andar milhas pelo calçadão
Segurando de novo a tua mão
Com alegria no rosto
E paz dos justos no coração.
Eu queria hoje me reencontrar
Quando visse meu reflexo
Em teu olhar
E notar naquele teu sorriso lindo
De canto de boca
Que a vida pode ser pouca
Mas é linda quando se ama.
Eu queria hoje ter você na minha cama
E, com teu perfume tomando o meu quarto,
Recostar a cabeça no teu peito
E sentir que o mundo é perfeito
Naquele instante.
Eu queria hoje sincronizar nossas respirações.
E os nossos sonhos.
Queria deitar na rede abraçado
Queria rir um bocado
Do que ficou no passado
E que tanto me fez chorar.
Eu queria hoje, te fazer um filho
Que teria, então, o mesmo brilho
Que tu trazes na alma.
sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 11 Fev 2009
Erros, Acertos, Erros…
Eu roubei a orquídea do rei
Pra enfeitar a tua janela
E a minha lapela,
Usei terno.
Eu mandei o capeta pro inferno
Eu driblei o beque e o goleiro,
Eu fui casto um dia inteiro.
Me esquivei das meninas
E limpei as latrinas
Do banheiro.
Eu chorei todas as letras
Que você me escreveu
Eu rasguei algumas outras
Que você não leu.
Eu fiz o dever de casa da vida inteira
Que eu nunca tinha feito.
Me aceitei imperfeito.
Eu entendi teoremas,
E vomitei poemas.
Não paguei minhas contas em dia
Mas fui no enterro de gente
Que eu nem conhecia.
Eu acabei com a cachaça
Pra entender que a dor não passa.
Eu quebrei a vidraça
E me cortei.
Eu vi meu sangue
Escorrendo
Vi a esperança
Morrendo
Vi a lua
Nascendo
Todos os dias.
Eu orei de joelhos
E de todos os jeitos
E pra todos os santos
E por todos os cantos.
Eu gritei.
Ajudei a velhinha na rua.
Ajudei o aleijado na escada.
Fui ajudado por tanta gente
Que não quis nada.
Eu errei,
Acertei.
Eu errei de novo.
Eu fiz tanta coisa
Tanta coisa nova
Eu me coloquei à prova.
Eu me testei.
Eu não falei eu te amo pra ninguém
Desde o último que eu te disse.
Eu queria que você me visse.
E não.
Eu não invadi o aeroporto
Eu não seqüestrei o avião.
Eu me fingi de morto.
E eu não fiz serenata em Milão.
Mas devia.
sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 11 Fev 2009
Desconhecidos
Onde você está
Exatamente agora?
No que estará pensando
Daqui a meia hora?
Eu não sei mais nada
Sobre a sua vida
Eu não sei mais nada
Sobre a sua lida
Sobre as suas flores
Seus desenhos
Seus sonhos
Seus receios
Seus recreios
Suas juras de amor
Se há amor.
Eu não sei mais nada
Das suas longas viagens
Pelos caminhos mais estranhos
Da imaginação
Que Deus deu pra você.
Nem das suas breves viagens
Com estranhos, pelos caminhos
Que na imaginação,
Deus nos teria dado…
Não sei das suas férias
Das suas misérias
Das suas farturas
E das criaturas
Que ficam embaixo
Ou em cima
Da sua cama.
Não sei se você me ama.
Mas sei se eu amo você.
Não sei como cabe tanto orgulho
Em um metro e sessenta
Não sei como você agüenta,
Suporta essa tormenta
Calada
Parada
Gelada
Como se tudo o que aconteceu
Com tudo o mais que iria acontecer
Fosse nada.
Somos ilustres desconhecidos
Um do outro
E nem faz tanto tempo
Mas ao mesmo tempo
Faz.
Faz frio.
Mesmo no calor.
Tanta gente pra amar
E tanta falta de amor.
Acho que deixei na sua bolsa
Uma bala,
O papel do estacionamento
E o meu melhor sentimento.
Porque não o encontro mais…
E já revirei tudo.
Estou tranqüilo, em pé,
Talvez feliz
Mas com um escudo.
Que me separa do mundo
De todo mundo
Que eu poderia amar
Como amei você.
Onde você está
Exatamente agora?
Ju Goulart & sem projeto de livro & Heterônimos & Todas as Poesias JuGoulart em 11 Fev 2009
Que Saudade Que Eu Sinto da Gente
Que saudade que eu sinto da gente…
Daquele tempo…
Quando tudo parecia ser perfeito,
Quando o mundo parecia ser do jeito
Que eu queria,
Quando todos esses relógios homicidas paravam
Pra eu ver
Que você sorria.
É, eu ainda tenho a coleção que fiz
Com todos os sorrisos que você me deu
Quando me olhava daquele jeito
Meigo, doce, franco,
Que é o seu.
Nem sei porque
Mas hoje deu uma vontade,
Uma vontade louca
De dizer
Que eu faço o meu melhor, o meu maior,
Pra ser sua amiga
Mas,olha, talvez, eu não consiga…
Porque o que eu trago aqui dentro
É diferente,
Tem a ver com essa saudade que eu sinto
Da gente…
Tem a ver com tudo o mais
Que eu nunca mais
Consegui sentir.
E faz tanto tempo…
Milhares de noites em que dormir
É marcar encontro com você…
E saber que é lá que vou escutar de novo
As coisas todas que você me disse
E eu amei que dissesse…
Aquelas coisas lindas, você sabe,
Que a gente não esquece…
É também no sonho que vou sentir seu toque,
Por mais que isso me agrida,
Atravesse a minha vida
E provoque,
Uma coisa esquisita,
Que apesar de bonita,
Eu jurei pra mim mesma, que não quero sentir.
Demorei pra perceber que eu não podia fugir
Porque não existe lugar pra eu ir
Que não sinta você
Porque quando escolhemos o Não,
Na pressa acabei esquecendo
De arrancar você do coração.
Nossa! Que saudade que eu sinto da gente!
Ju Goulart & sem projeto de livro & Heterônimos & Todas as Poesias JuGoulart em 10 Fev 2009
Um Segredo
Você me deixa tão aflita
Que eu preciso ver se estou bonita
Pra falar ao telefone
Com você…
Minha voz fraqueja, a boca seca,
A mão sua.
A mão que é sua.
E eu fico nua,
Me entrego.
Não nego
Minha felicidade
Que não se recolhe,
Não se intimida,
Não escolhe
Momento pra fugir, exultante,
Do peito.
Peito que é seu.
Meu amor não morreu,
E isso é tudo.
Durante muito tempo ficou mudo,
Mas vive.
Cada dia mais maduro,
Cada hora mais seguro,
E ainda tão puro,
Como antigamente.
Quando tudo o que eu tinha
Era a promessa da gente…
Fui eu quem trouxe a serpente?
Fui eu que decidi sair
Do nosso paraíso?
Ou era só conto de fada
E o que era tudo, hoje é nada
Porque deu meia-noite?
Meu Deus! Você deve estar se perguntando
Da onde eu estou arrancando
Esse sentimento…
Mesmo sem teu consentimento
Eu o mantive guardado
No lugar em que ficou largado
Quando você
Preferiu não voltar.
Você, a essa altura,
Já pensa que é loucura
E, sim, eu sou louca
E só penso em sua boca
Sussurando ao meu ouvido
Ou - quem sabe? - o gemido
De prazer
Que está contido,
Está preso…
Isso te deixa indefeso?
Te assusta?
Não é preciso ter medo
Isso era só um segredo
Que eu resolvi te contar!
Livro Novo (prod.) & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 10 Fev 2009
Olhos
Olhos da Lara
São lindos,
Caros.
Os olhos da cara.
São meigos,
São puros,
Pretensamente seguros,
Os olhos da Lara.
São olhos felinos,
São olhos divinos,
Que olham pra Deus.
E hipnotizam,
Se sintonizam,
Se sincronizam
Com os meus.
Olhos da Lara,
Tão bonitos!
Mesmo quando tristes,
Mesmo quando aflitos.
Mesmo quando errantes
E sempre mais que antes
Sempre apaixonantes,
Sinceros.
Às vezes, severos.
Olhos da Lara
São olhos que abraçam,
E não disfarçam
Sentimentos
São olhos castanhos.
São olhos atentos.
São olhos que brilham,
São olhos que trilham
Novos caminhos.
São olhos de olhares
Tão singulares,
Que parecem carinhos!
Olhos da Lara
Me encantam.
Olhos que acalantam.
São olhos pra olhar,
Olhos pra sonhar.
Olhos da Lara
(que coisa mais rara!)
Me fazem amar.
PS: eu protegi teu nome por amor…