Arquivo de Julho de 2008
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Teus Dias
Sinto tua falta.
E mesmo sem saber se um dia
Hei de rever-te,
Desejo que teus desejos
Tornem-se reais,
Que teu peito seja lar para o amor
E tua alma
Para a paz.
Que nos teus dias
Não caiba o medo,
Não caiba a dor,
Não haja sequer a sombra
Da incerteza
E que teus passos sejam firmes, constantes,
Seguros
Na direção, não necessariamente do paraíso,
Mas do que, tu, julgues preciso
Para viver.
Que a sagrada luz
Que brota dos teus olhos Ilumine a tua estrada
Para que torne-se serena
Tua jornada.
E que em todas as manhãs
O perfume inconfundível
Da felicidade
Faça-te perceber teus sonhos,
Tornando-se
Realidade.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Fico
Hipnotizado,
Perplexo,
Paralisado
E sem nexo,
Descontrolado,
Ofegante,
Alucinado
E delirante.
Intrigado,
Indefeso,
Abobado
E surpreso.
Instigado,
Confuso,
Sufocado
E obtuso.
Encantado!
Muito feliz
E apaixonado…
Quando sorris!
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Foi-se
Foi-se!
E eu fiquei
Na companhia de apenas
Umas poucas lágrimas
Mais cinco ou seis palavras
Presas na garganta.
Foice! Que rasga o coração. Sangra o coração
Pobre coração. Antigo lar de tantos belos sentimentos
De sonhos e sonetos
De esperanças,
Danças, canções.
Emoções.
Foi-se!
E o que era amor
Virou saudade?
Virou tristeza?
Virou vazio?
Que virem, sim,
Velozes, constantes
As folhas desse ordinário
Calendário
Que dias passem em segundos.
Voem!
Que o tempo seja, na frente de tudo,
Meu amigo.
E que antes, bem antes,
De eu enxugar meu rosto,
Possa de novo (pra sempre)
Sentir o gosto
Do teu beijo.
Que beijo!
Definitivo, permanente. Eterno.
Impregnado em cada milímetro
Da minha memória.
Beijo puro. Beijo doce. Beijo meu.
Beijo da vida. Beijo que me deu vida.
Vivo pra isso.
Por isso.
Foi-se!
Te espero.
Te quero.
Te amo.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Descarto Descartes
Quanto mais eu penso
Menos existo.
Porque me consumo
Em dúvidas,
Lacunas.
Porque me esgoto
Em perguntas
Sem respostas.
Porque me esvazio
Da coragem,
Da esperança.
Quanto mais eu penso,
Mais me perco.
E sem achar de volta
O caminho,
Faço do labirinto
Um lar.
De certa forma,
Me liberto.
E já não sinto
Saudades,
Dor.
Quanto mais eu penso,
Menos respiro,
Menos choro,
Menos quero,
Menosprezo.
Quanto mais eu penso,
Menos acho a razão.
Paradoxo.
Pára tudo.
Que razão há de existir,
Se a razão de existir foi embora?
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Presente de Grego
Não é de Pandora
A caixa de um homem que só te adora.
Não é a caixa que te apavora.
Nem o homem que, só, te adora.
E importa pouco seu conteúdo.
O melhor de tudo
Está fora…
Então não peça de presente
A minha ausência
Embrulhada em cara
Carência
Encharcada com uma
Essência
De incerteza
Porque não te cabe
Porque não combina
Com uma mulher tão bonita
Uma alma de chita
Rasgada
Um coração apertado
Um roto sorriso
Um olhar opaco,
Impreciso.
Preciso
Dar, sim, o meu melhor presente,
Único,
Diferente:
Esse amor enorme, lindo,
Quente.
Feito à mão por Deus,
Pessoalmente,
Para cobrir teu corpo, alma
E mente.
E te fazer feliz.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Vitória
Escute que eu vou dizer que você está errando
Desculpe mas você sabe muito bem do que eu estou falando
Se hoje você está livre
Com a morte de um grande problema
Amanhã de manhã o sol nasce
E renasce o seu mesmo dilema
Porque eu sei que ainda existe
Um pouco de amor
E ele vai te seguir (pode crer)
Aonde você for
Eu sei que o destino assusta
Eu sei que às vezes dá medo
Mas pense antes de desistir
Se ainda não está muito cedo
Mas
Se você quer ter a certeza
Que nós dois chegamos ao fim
Eu lhe digo com toda franqueza:
Não vai ser fugindo assim!!!
Tudo bem que o passado é suspeito
Pelo seqüestro do presente
Mas nesse crime hediondo e imperfeito
Nosso futuro é inocente
Eu acho que dá pra gente ser feliz
Com toda a paz que você sempre quis
E algo me diz que, seguindo,
Insistindo com a nossa história,
Lá na frente alguém está esperando:
É a nossa Vitória.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Siga
Não sintas pena de mim
Sei suportar minha dor
Melhor que podes supor
Ainda estou longe do fim
Jamais me olhes com dó
É pior que indiferença
Já aceitei minha sentença
De morrer, por viver só
Não me tenhas como amigo
Te juro, prefiro o nada
Mas não te sintas culpada
Nem te preocupes comigo
Guarda qualquer falsa flor
Prefiro até teus espinhos
Eu não quero carinhos
O que procuro é amor.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Desejo
Desejo!
Que me pulsa no peito
Desejo!
Em toda vez que me deito
Desejo!
Que a memória me traz
Desejo!
Que a tua falta me faz
Desejo!
Que mantém minha chama
Desejo!
Que me invade e inflama
Desejo!
Que dá luz à minh ́alma
Desejo!
Inquietude que acalma
Desejo de uma pele macia
Desejo de uma mão que acaricia
Eu desejo
Teu corpo vibrante
Tua linda risada
Malícia no semblante
De uma timidez ousada…
Meu desejo
Cada dia é mais forte,
Em mim, faz o que quer…
Ou me levará à morte
Ou te fará minha mulher.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Doido
Corta o silêncio noturno
O grito de um coração
Que trota um tanto soturno
Em busca de sua paixão.
Incansável, persistente,
Corajoso (ou insensato?)
Persegue, inconseqüente,
Um amor findo e ingrato,
Foi desprezado uma vez
E ainda assim, insistiu,
Tudo em vão, o que fez
O amor da vida, partiu.
Um reencontro tão lindo…
Então julgou ser eterno,
Viu, de novo, o amor indo,
Esteve mil anos no inferno.
Esse coração calejado
Bate como o de um menino,
Segue em frente, apaixonado,
Desafiando o destino.
E é essa obstinação
Que faz dele tão forte,
Só desiste da paixão
No instante após a morte.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Ponte Aérea
Tenho no peito um amor puro,
Forte e incessante. Sincero.
Amor pronto, intenso. Maduro.
Te amo, te adoro. Te quero!
E tenho na alma a saudade
Que me arrebata. E eu choro.
Volta! Traz teu amor de verdade.
Te quero, te amo. Te adoro!
Mas tenho na mente a certeza
Que entenderás que eu te chamo
Pois manténs minha chama acesa.
Te adoro, te quero. Te amo!
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Palavra
Me dá tua palavra
Qualquer palavra
Eu quero o som
Sussurro ou grito
Que algo seja dito
Pela boca
Amada
Beijada
Hoje calada
Qualquer palavra
Eu quero aproximação
Eu quero a próxima ação
(Que não seja o fim!)
Que seja o sim
Que seja o som
Das palavras
Parece absurdo
Mas estou ficando surdo
De tanto que não escuto
A tua voz
Tuas palavras
Eu quero o som
adoro, te quero. Te amo!
Que tudo fique claro
Quando você disser
Que tudo fique, claro,
Como Deus quiser.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Papo de Anjo
Meu anjo da guarda não guarda segredos,
Me deixa dormindo e, sobre teu leito,
Te conta em sonhos meus males, meus medos,
Te faz minha dona. Me dá imperfeito.
Te traz de presente meu tempo passado.
Te mostra quem sou. Com pureza, verdade.
E, à revelia, te diz meu pecado:
Te amo. E já faz uma eternidade.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
De Volta
Onde está você
Que não está me procurando?
Onde está você, amor?
Fui andando, desejando te esquecer,
Machucado, eu caminhei a esmo…
Só queria ir pra longe de você,
Me afastei devagarinho… de mim mesmo…
Cheguei a nenhum lugar… vi o desconhecido…
Ou você vem me achar… ou tô perdido
Perdido…
Solto nesse meu mundo de tédio…
Preso nessa sempre-mesma-vida…
Sem graça… Desgraça descabida…
Doente de amor… E sem remédio…
Já não rio. Já não gozo. Já não sonho.
Já acho o arco-íris enfadonho…
Já não enxergo nem respiro poesia
E é amargo o pão-meu de cada dia…
Já não tô achando nada bom
Nada disso aqui me satisfaz
Tô achando Tom fora de tom
E os versos de Vinícius, imorais…
Onde está você
Que não está me procurando?
Onde está você, amor?
Eu quero de volta o amor da minha vida
Eu quero o amor da minha vida
Só quero o amor da minha vida…
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Vício
Quando julguei-me liberto
De toda a antiga agonia,
De todo o passado incerto,
Daquela vida sombria…
Quando pensei ser o fim
De tanta insônia e dor,
Que o sol nasceria pra mim,
Doando-me luz e calor,
Percebi-me na verdade
Preso em uma armadilha:
Não há mais felicidade
Sem teu cheiro de baunilha.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Banho
Serena. Sozinha com seus pensamentos…
A luz do dia vem pela janela
E antecipa o fim de maus momentos,
Por todo o quarto o cheiro de canela.
Mais que o corpo, recompôs a alma
No banho, imersa em tantas memórias
Que se misturam e resultam em calma.
Esquece as dores. Lembra das vitórias.
Com a toalha áspera na pele macia
Remove medos, traumas e liberta.
Já não se sente tão distante e fria,
E já intui, com a mente mais aberta.
E ela escuta o próprio coração
Que antes do banho estava tão calado
Mas agora bate com a emoção
De um alegre recém-libertado.
Entrega-se a moça, revigorada,
A um destino muito mais bonito.
Segura, em sua nova estrada
De amor lindo, puro e infinito.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Inevitável
Não há poesia no mundo
Que consiga exprimir
Esse amor tão profundo
Que eu insisto em sentir.
Não há versos que alcancem
Seu sentido ou dimensão,
Tampouco rimas que entrancem
O sentimento e a razão.
É um amor inefável,
Uma paixão inenarrável,
Um desejo inexplicável…
De um poeta inexorável
Com uma força inesgotável
E uma ânsia incontrolável
Pela musa inestimável
De alma inabalável
E coração inescrutável.
Tragédia inevitável?
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Única
Eu naveguei
Os sete mares
Te procurei
Por mil lugares
Te encontrei
Entre milhares
Me apaixonei
Em dois olhares
Lindos e ternos.
Eternos.
Na lembrança. Na saudade
De te ter. Na esperança. Na vontade
De viver.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Mais que perfeita
Onde está essa mulher
Que, há muito, em meus sonhos habita,
Que faz de mim o que quer,
Me encanta, me envolve, me excita?
Com lábios que me enlouquecem
Com olhos que me atiçam
Com braços que me aquecem
Com seios que me enfeitiçam
Sem medo de ser feliz
Sem pudor de ser mulher
Sem complicar o que diz
Sem reprimir o que quer
Com mãos que me acariciam
Com palavras que me prendem
Com beijos que me saciam
Com lágrimas que me rendem
Sem manias e sem vícios
Sem traumas e sem pavores
Sem manhas ou artifícios
Sem saudosos amores
Com o perfume que eu quero
Com o sabor que eu adoro
Com formas que eu venero
Com tudo por que imploro.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
Serenidade
Serenidade:
Palavra perdida no espaço
Saiu sem olhar pra trás,
Ligeira, apertando o passo
Não deu notícias.
Jamais.
Serena idade?
Tolo, imaginei-me aos trinta
Calmo, tranqüilo e maduro
Desilusão fez que eu me sinta
Bem mais frágil.
Inseguro.
Serenidade,
Por que tu foste embora?
Volta pra cá, por favor
Acalma meu peito que chora
Porque é vazio de amor.
Mas Larga Essa Mala no Chão! & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 19 Jul 2008
És
Doce, meiga e delicada,
Alegre, irônica, inteligente,
Tranqüila, bem-humorada, T
ímida, irreverente.
Teimosa, precisa, adorável,
Esperta, calma, instintiva,
Colorida, indecifrável,
Incrivelmente criativa!
Verdadeira, sensível,
Engraçada, correta, de paz,
Compreensiva, imprevisível,
Controlada até demais!
Curiosa, obstinada,
Persistente, difícil,
Ansiosa, iluminada,
Especial desde o início!
Fofa, comunicativa,
Diferente, dengosa,
Rara, introspectiva,
Exageradamente charmosa!
Pura, desconcertante,
(E, agora, mais presuntinha…)
Suave, apaixonante
Linda e, claro, minha!
N. do A.: Presuntinha é uma brincadeira, particular, com mais uma qualidade: presunçosa.