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Arquivo de Outubro de 2005



sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 31 Out 2005

She

Não estou gostando nada

Dessa vida

Meio vazia, rala.

Meio corrida

Sem sentimento bom,

Descolorida

Que é o que restou

Depois da despedida.

Eu fiquei, só,

Imerso em silêncio.

Nem mesmo esse,

Foi absoluto,

Interrompido que era pelo choro -

Inconfundível marca

Do meu luto.

Na nossa sala cheia de lembranças,

Saltam aos olhos

Proparoxítonas,

Pétalas,

Gérberas,

Lágrimas

E dúvidas.

Todas elas órfãs de rimas.

Fazia um tempo que eu nem pensava

Nas nossas coisas,

Então, não sentia

O perfume leve de baunilha

E o sopro noturno dessa nostalgia.
Mas esteve por aqui Sr. Costello

Com mil guitarras e só uma chave

Do, hoje, temido universo paralelo

Onde a gente chegou a dividir

O mesmo sonho de felicidade.

Onde você era a canção

Entoada, com amor, pelo verão,

Uma centena de coisas diferentes

E o rosto que eu não poderia

Esquecer.
Como não esqueci.

E nem vou.

sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 28 Out 2005

Soneto do Ex-poeta

Já faz quase uma hora

Que eu só consigo rimar

Amor que se foi embora

Com amor que não quer voltar

A dor que dói no meu peito

Dói também no meu caderno

Não acho um verso perfeito

Nem tenho um amor eterno.

Perdi o dom da escrita

Que era o meu ganha-pão

Perdi a moça bonita

Perdi com ela a paixão

E a esperança infinita

Que enchiam o meu coração

sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 26 Out 2005

Carolina

Carolina,
Doce amiga,
Mais que amiga,
Mais que doce.
Se fosse,
Carolina, uma flor,
Seria um amor-perfeito
Que eu usaria no peito,
No terno,
Pra mostrar o amor eterno,
De amigo,
Que eu trago sempre comigo,
Para dar pra Carolina
Do colo que me acolhe,
Me nina.
Menina,
Do abraço
Que me aquece,
Da palavra que me ensina.
Minha fortaleza,
De rara beleza,
Sorriso que me acalma
E alma
Cristalina.

Esse foi de presente pra minha grande amiga Carolina Senna.

sem projeto de livro & Todas as Poesias Marcelo Almeida em 18 Out 2005

Ana

Ana.
Goiana.
Se diz mundana
Se faz profana
Com nome de santa.
Dança a Taranta
E entra em transe.
Profundo.
E ganha o mundo.

Ana.
Veneziana.
Impaciente.
Indecente.
Coxas expostas
E as costas.
Ana.
Balzaquiana.
Adolescente.
Envolvente.
Entre a doçura de Cecília
E o erotismo de Miller.

Ana.
Capricorniana.

Para Ana, que pediu poema. E jamais vi.